Em uma oportunidade única marcada pelo meu anfitrião o pecuarista Jaime, consegui conversar por mais de duas horas com a pecuarista e presidente do Comitê Estadual do sistema produtivo de bovinos de leite Consuelo Pastrana. Ela conhece muito bem o Brasil onde esteve em diversas oportunidades conhecendo algumas propriedades. Consuelo quer mesmo o leite a pasto e não copiar o modelo americano. Menos de 10 por cento conseguem produtividade acima de 40 litros por vaca ao dia no México.
A média é de 5 litros. Ela lembra que no final da década de 80 o Brasil e o México disputavam o primeiro lugar entre os países que mais importavam leite. De lá pra cá o Brasil avançou mas o México continua importando 40 por cento do que consome. A maior parte vem dos Estados Unidos e depois da Nova Zelândia. Até pouco tempo os grandes laticínios não estimulavam a produção, muito menos a eficiência da produtividade. Agora aos poucos isso está mudando.
O cenário está assim: de um milhão de litros de leite por dia no estado, 800 mil litros são transformados em queijo nas pequenas propriedades. Setenta por cento precisam de piso e teto antes mesmo de pensar em uma ordenhadeira. Muito a se avançar. Com relação a raça ela deixa claro que não quer saber do europeu puro já que segundo ela é como cuidar de um recém nascido, tem que ver a temperatura e tudo mais. Consuelo busca os melhores cruzamentos com zebuínos como vem acontecendo no Brasil a muito tempo.
Conversei com um dos diretores da associação de criadores de raças puras de Chiapas o engenheiro e pecuarista Leopoldo Garza. Mora a mais de 30 anos no estado de Chiapas mas o bigode e o jeito descontraído de fácil amizade mais o sotaque vem do Norte do México. A associação conta com 150 criadores de zebu e pardo suíço puros de origem. Leopoldo revela que Chiapas manda para o norte 250 mil bezerros desmamados aos 200 kg por ano. Destes 30 mil são fêmeas. Ele gostaria de segurar as fêmeas no Estado para ir melhorando e aumentando o rebanho.
A passagem de três dias por Chiapas foram para conhecer e fazer grandes contatos e perceber como é importante a colaboração entre países que tem tantas semelhanças. O Brasil pode e deve estreitar o relacionamento no campo do agronegócio com nosso amigos mexicanos.






