Não sou descendente de alemães, mas sempre gostei de batata. Até hoje lembro de um vendedor que ia de casa em casa, quando eu era criança, dizendo que tinha mil maneiras de fazer batata: frita, assada, cozida, amassada... Durante a viagem para a Alemanha, pude comprovar que embora o vendedor fosse exagerado, naquele país, os cozinheiros podem chegar bem perto disso.
A primeira batata veio em Muenchen, ou Munique, como a gente diz por aqui. Ficamos seis horas no aeroporto e a refeição foi o tal do Schweinebraten. As lascas do porco assado eram cortadas no tamanho que o freguês queria e para acompanhar, uma belíssima salada de batata. Ah, tinha também um chucrute com muito bacon por cima. Mas confesso que meu estômago não aguenta esta iguaria.
No dia seguinte, já em Hannover, um novo prato típico. Salada de batata com linguiça. É o arroz com feijão deles, disse o garçom, gaúcho de Porto Alegre. Achei um prato muito gostoso.
No restaurante de um hotel da pequena Goslar, carne de ganso com batatas cozidas, temperadas com salsinha, e glês. Uma maravilha! Minha irmã sabe fazer glês. É um bolinho de batata que tem um pedaço de pão amanteigado dentro. Este que eu comi na Alemanha estava bem parecido com o dela.
No terceiro e no quarto dia, as batatas nos perseguiram em todos os pratos. Na despedida de Hannover, por exemplo, quase todo o grupo experimentou o famoso joelho de porco. E elas estavam lá para acompanhar. Batatas, batatas, batatas.
Só tive uma noção da overdose quando fiz um pedido para minha amiga Rita, no Brasil. Sempre que viajo para algum lugar onde não tem feijão e arroz, ela me espera, na volta, com uma comidinha caseira como essa, mais um guisado, uma batatinha. Desta vez, pedi uma mudança no cardápio: guisadinho com moranga, por favor. Fiquei sem comer batata por uma semana. Uma desintoxicação pessoal. Continuo gostando, claro. Mas todo dia, não dá.



















