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Preço da soja sob muita pressão

17 de maio de 2012 0

O cenário de crescimento mundial vem melhorando mesmo que a passos de tartaruga, mas em frente, o que tira a grande pressão que vinha ocorrendo sobre a China e os Estados Unidos. Sendo assim, a demanda mundial pelas commodities pode não crescer, mas também não tende a diminuir. Aliado a isto a queda da atual safra de soja e milho da América do Sul faz com que os preços presentes destes dois grãos, soja e milho, fiquem em patamares muito positivos. Resta saber como os preços irão se comportar no futuro próximo.

No curto prazo dois fatores irão coordenar o vaivém das commodities. Uma delas são as medidas de expansão monetária adotada por diversos bancos centrais no mundo, que podem influenciar os preços para cima. O outro fator é a atual safra americana que vai muito bem obrigado.

Segundo relatórios do USDA, o plantio da soja nos EUA tem evoluído acima do esperado, o clima, ao contrário da safra anterior, vem ajudando para que o plantio siga muito bem. Todos sabem o quanto o clima nesta fase é importante para os americanos, pois possuem uma janela muito curta de plantio de soja, sendo assim as condições climáticas são de fundamental importância, e devemos estar muito atentos ao dito mercado de clima. Neste momento, a safra americana terá um forte poder de influenciar os preços futuros da soja e do milho.

Claro que só a safra americana não será suficiente para mudar muito o cenário do preço da soja para a próxima safra. Os analistas estão atentos ao que pode vir a acontecer com a próxima safra sul-americana. Agora, uma coisa é certa: se a safra dos EUA for cheia, América do Sul aumentar a área prevista e colher também uma safra normal, salve-se quem puder.

Soja na próxima safra deve seguir avançando no Cerrado, somente Mato Grosso deve incorporar quase, no mínimo, 500 mil hectares de pastagens degradadas para o plantio de soja. Isto equivale um crescimento de 7%. Estados como BA, PI, MA e TO devem seguir também crescendo, e, claro, tudo isto incentivado pelo atual preço da soja. Países como Uruguai, Paraguai e Argentina devem também crescer. A Argentina diz que tem mais de 10 milhões de hectares para incorporar com soja.

Por outro lado, as áreas de soja devem ceder área para milho no Sul e Sudeste do país. O milho sofreu grandes quebras durante esta safra nestas regiões, o que fez também com que o preço ficasse muito atraente. No caso do Sul e Sudeste, a rentabilidade do milho é maior que da soja, daí este vai ganhando espaço da soja. No entanto, o cenário é que tanto soja e milho devem crescer na próxima safra na América do sul.

O relatório do USDA vem constantemente sendo revisado para baixo na produção global de milho e soja, incorporando as perdas na América do Sul provocada pelos efeitos da estiagem associada ao La Niña. A safra brasileira de soja fica abaixo de 70 milhões de toneladas, e este menor volume produzido reduzirá os estoques de passagem, gerando pressão altista para os preços internos nos próximos meses, o que é muito bom para quem ainda tem soja para comercializar.

Mas agora o que deixa os produtores atentos são os preços futuros da soja. A volatilidade tem sido muito grande, e os custos esses sim já foram computados, passando dos mil dólares por hectare. Sendo assim, se considerarmos um preço de 23 dólares, a saca, o custo fica 43,5 sacas/ha. Se a saca vier a 20 dólares, o que não é impossível, o custo vai chega a 50 sacas/ha.

Não é para menos que os produtores começam a rezar para que a demanda chinesa aumente, para que São Pedro não seja tão bonzinho com os americanos, e aqui na América do Sul só o Brasil colha bem. Se a reza não for atendida, o que tenho muitas dúvidas do atendimento, o racional seria fazer contas e talvez ir travando o preço futuro e revendo os números daquela pastagem a ser incorporada. Mas commodities é commodities e tudo pode acontecer, além do que são muitos os fatores que influenciam. Cada um deve correr o risco que seu bolso determina.

GLAUBER SILVEIRA é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja – Aprosoja Brasil  E-mail: glauber@aprosoja.com.br

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Por um mercado mais justo

11 de maio de 2012 0

Participei nesta quinta-feira de uma audiência do Senado Federal que tratou da utilização da biotecnologia e cobrança de royalties em particular da soja. A audiência proposta pelos senadores Blairo Maggi e Ana Amélia Lemos trouxe à tona a discussão sobre a preocupação do setor agropecuário com a concentração de mercado, na área de insumos e empresas negociadoras de commodities, devido à intensificação da verticalização que é um fenômeno do mundo globalizado e não exclusivo do Brasil.

Somos uma democracia capitalista e, portanto, defendemos um mercado livre com mínimo de interferência do governo. No entanto, a realidade vivenciada pelos produtores é outra. O mercado não é tão livre como dizem, à medida que o produtor não tem liberdade de escolha, e este tem sido um dos papéis da Aprosoja Brasil: buscar resguardar este direito.

Como bem observaram o senador Blairo Maggi e o presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Pierre Narie Jean Patriat, devido a essa concentração a empresa que tem uma tecnologia exclusiva pode impor ao sementeiro, que queira utilizá-la, que multiplique apenas cultivares de sementes que lhe for conveniente economicamente. Trocando em miúdos, o sementeiro terá que produzir aquilo que der mais retorno econômico à empresa.

Na audiência pública onde os três setores envolvidos que são os obtentores (detentores da tecnologia), os sementeiros e os produtores estavam representados, e cada um pode através de sua associação de classe apresentar sua demanda, ficou claro que a relação de mercado é muito forte. Obtentores em busca do retorno de sua tecnologia, sementeiros buscando crescer e ter a oportunidade de multiplicar novas tecnologias e obter lucro com ela também, e por outro lado produtores buscando soluções para problemas como pragas e doenças, maior produtividade e ainda - nada mais justo - obter renda na sua atividade.

Os senadores muito bem observaram que o setor agropecuário é o que mais tem contribuído com o PIB brasileiro e, por isto, precisa ser resguardado do capitalismo desvirtuado que não interessa ao país. O que o Senado fez muito bem foi trazer à discussão essas relações dos envolvidos com a biotecnologia mostrando que, além de existir uma relação comercial, existe todo um interesse de segurança alimentar, desafio de crescimento econômico para o Brasil e metas de sustentabilidade, sendo fundamental se discutir as relações de mercado buscando sua harmonia e, se for necessário, que se crie regras e ações de estímulo à competitividade, no caso especifico incentivando a pesquisa brasileira e mantendo um banco de germoplasma público.

E, nesse sentido, o próprio senador Blairo Maggi concordou que há de fato muitas dificuldades, e o desequilíbrio gerado leva a uma dependência do setor produtivo em relação às grandes empresas. Ou seja, as opções ficam restritas e logo interfere negativamente o bom andamento do segmento.

A preocupação do Senado em colocar na pauta de discussões esses temas é louvável e demonstra que de fato preocupa. Desta audiência já ficou acertada a realização de uma nova para tratar a questão dos frigoríficos e tenho certeza devem ser realizadas diversas outras, pois a concentração tem ocorrido em diversos setores fundamentais ao desenvolvimento do setor produtivo como é o caso do setor de fornecimento de insumos e transporte no Brasil entre outros.

Na ocasião, a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, bem disse que o erro que se vê, e deve ser evitado, não é o capitalismo propriamente, mas sim a ganância que pode tornar o processo e as relações destrutivos.

Devemos refletir sobre formas de evitar essa distorção. Cito como exemplo uma proposta de organização dos produtores a ponto de enfrentar a situação criando fundos com recursos suficientes para adquirir ações dessas grandes corporações de capital aberto, e dessa forma fazer parte dos conselhos deliberativos. Esta seria uma forma dos produtores passarem a participar mesmo que minoritariamente na formação das regras de mercado e também participar do rendimento dos outros elos da cadeia, seria possível? Por que não?

Na prática, isso seria uma forma de evitar os efeitos nocivos da concentração que acaba atentando contra a soberania do Brasil, por exemplo. Assim como fizemos no cooperativismo e precisamos fazer ainda mais para que os pequenos e médios possam ser também grandes e enfrentar o mercado. Agora talvez seja o momento de nos juntarmos para fazermos parte como acionistas das grandes corporações. Já disse publicamente e volto a questionar: o mercado é realmente livre como se fala?  A meu ver não.


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O novo Código Florestal é sustentável ou não?

03 de maio de 2012 1

As opiniões continuam divergindo entorno do texto do novo Código Florestal. Nas redes sociais a bruxa está solta e opiniões antagônicas, muitas delas cheias de radicalismo e pragmatismo, estão imperando. Pode-se notar que muita gente, que nem mesmo leu o texto aprovado, dá sua opinião veementemente que o Código irá incentivar o desmatamento, enquanto alguns ditos “ambientalistas” afirmam na internet que dependem das árvores para dar comida aos seus filhos. Como podemos ver, todos queremos árvores e comida, o que precisamos é dar equilíbrio à discussão, já que não somos herbívoros.

Este tema ambiental é muito interessante. Há muito tempo eu não via tanta paixão nas discussões, e isto é muito positivo, pois mostra que todos estão preocupados e que a população brasileira se deu conta da importância da sustentabilidade para o futuro. Agora, não dá para olhar o futuro achando que todo o passado é errado ou criminoso. É preciso entender que houve uma evolução tanto no campo como das leis.

Vendo todos os comentários na internet do “Veta Dilma” ou “Aprova Dilma”, e conversando com meu sócio, comentei com ele que a sociedade em muitos momentos se esquece de onde o alimento é produzido. Isto, mesmo nas fazendas, muitas vezes acontece.

Meu sócio há 20 anos criticou porque em uma fazenda, cuja atividade principal era soja, plantávamos abacaxi, criávamos porco, ovelha, etc. Ele dizia que era mais barato comprar no mercado. Com o tempo ele mudou seu pensamento e começou a produzir quase tudo que precisávamos na fazenda. Comentei com ele: ‘veja o nosso exemplo, se todo mundo pensar que é mais prático comprar no supermercado, quem vai produzir?’. Bom seria se tivesse uma máquina que produzisse magicamente tudo já embaladinho, como se tivéssemos um Aladim: ‘quero um frango’, pronto surge o frango.

Mesmo os ditos "ecologistas” precisam de comida e devem comprar no supermercado. A sociedade urbanizada tem esquecido que o alimento vem do campo e os produtores não tem conseguido se comunicar mostrando de onde vem, explicitando a importância do seu trabalho.

A sociedade brasileira está confusa com o Novo Código Florestal. Muita gente pensa que a nova legislação vai causar desmatamento, que irá anistiar desmatadores, que irá acabar com as APPs (Áreas de Proteção Ambiental na Propriedade), que acabarão com as reservas legais, que os rios serão destruídos. Muitas pessoas não querem entender e nem ouvir a realidade. Temos que parabenizar algumas ONGs, pois, sem dúvida, fizeram bem seu trabalho.

O Novo Código Florestal não irá de forma nenhuma estimular desmatamento, tanto que as exigências para novos desmatamentos serão muito rígidas. No caso de reserva legal foram mantidos os mesmos percentuais, sendo 80% para bioma amazônico, 35% para cerrado da Amazônia legal, e 20% dos demais.

Sendo assim, um produtor que tem uma propriedade de 1.000 hectares (ha) na Amazônia terá que continuar preservando 800 hectares (ha) e jamais desmatar as matas ciliares.

Existe uma confusão muito grande da sociedade que ainda não entendeu que o Novo Código está apenas buscando regularizar o que já foi desmatado, onde ele contempla o direito adquirido e de forma alguma isenta qualquer propriedade de ter mata ciliar. Apenas nas áreas já abertas anteriores a 2008 a faixa de mata ciliar será menor, mas existirão e, todos, terão que fazer adequações para reduzir o impacto ambiental.

É importante salientar que nenhuma margem de rio, a não ser nas áreas urbanas, estará desprotegida. Muito ao contrario do que se tem pregado.

É importante estar claro que nenhum desmatamento de mata ciliar é permitido, pois o Novo Código apenas autoriza a continuidade das atividades agrosilvopastoris que já existiam anteriores a 22 de julho de 2008, porém, não isenta o produtor de recompor a APP.

Por exemplo, para um imóvel rural com APP consolidada ao longo de um rio de 10 metros terá que recompor 15 metros, existindo alguma flexibilização para a agricultura familiar com até quatro módulos rurais, mas nunca para grandes produtores como muitos tem dito.

Outra grande reclamação das ONGs é que o Novo Código Florestal está anistiando proprietários rurais que desmataram além do limite até julho de 2008. Isto não é verdade. Eles terão que aderir a um programa de regularização ambiental, e este programa dará a todos a oportunidade de se regularizarem compensando o desmatamento feito a mais.

Esta compensação deverá ser feita, em tese, adquirindo reservas, aquisição de cota de reserva ambiental ou mesmo deixando a floresta se recompor, sendo assim ninguém está anistiado.

Quem se der ao trabalho de ler o texto do Novo Código Florestal vai entender de uma vez por todas que não existe anistia a grandes produtores, que as matas ciliares serão protegidas e de forma alguma poderão ser desmatadas, ressalvadas exceções de interesse nacional, como obras de utilidade pública como usinas hidrelétricas, de infraestrutura, entre outros. Porém, isto deverá antes ser aprovado pela presidência da república. De forma alguma o Novo Código incentiva o desmatamento, isto porque as exigências para licença são muito restritivas.

A confusão de entendimento pela sociedade tem ocorrido porque foi flexibilizado em alguns pontos para áreas já abertas. A soma das APPs com a reserva legal só serve para áreas já abertas, para fins de regularização, mas de forma alguma no sentido de permitir novos desmatamentos.

O texto aprovado pode não ser perfeito, pode não agradar 100% de ambientalistas e produtores, mas, sem dúvida, é o mais moderno do mundo, e desafio qualquer outro país que não seja o Brasil a cumprí-lo.

Precisamos de uma vez por todas parar com o radicalismo e partirmos para a discussão de práticas sustentáveis. Temos que aproveitar o melhor possível o que já temos aberto e criar benefícios que estimulem ao não desmatamento mesmo daquilo que ainda pode ser legalmente desmatado.

Muita gente está criticando um texto que é a regra geral, mas que dependerá ainda de muita norma para regulamentação. É preciso discutir temas como: onde deve ser a reserva legal? Será que não deveria ser obrigatório que fosse junto à APP para criarmos corredores ecológicos? Quais as punições para infratores? Quais as regras para regularização das propriedades?

O Novo Código tem um foco muito grande no passado, mas de forma nenhuma deixou de olhar o futuro e tem gente que não quer ver isto.

A pergunta dos produtores é: o que querem de nós, o que querem para o Brasil? Em certos momentos parece que não querem que o Brasil produza. O que queremos entender é o que precisamos fazer, além do que estamos fazendo, para que a sociedade entenda que o Brasil é o país mais sustentável do mundo. E, portanto é fundamental que produtores e ONGs sentem para discutir um futuro positivo e sustentável, já que todos concordam que precisamos de comida e meio ambiente para viver.

Agora, tenho certeza absoluta que se no nosso país não passarmos a ter punição para os errados não adianta fazermos o Código mais perfeito do mundo, pois de nada vai adiantar. Os produtores sérios deste país estão cansados de serem colocados na mesma ala dos irresponsáveis. Enquanto as leis não forem cumpridas e os ilegais não forem punidos em qualquer âmbito o errado prevalecerá. Ser bandido tem sido mais fácil neste país.

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Um Brasil menor para a agricultura

26 de abril de 2012 0

O Brasil tem tudo para produzir mais 100 milhões de toneladas de grãos nos próximos dez anos, isto significa um acréscimo no valor bruto da produção de pelo menos 35 bilhões de dólares, com a geração de milhares de empregos, claro que, se extrapolarmos o que um incremento de produção deste porte dará na economia brasileira são valores muito importantes que sem dúvida mudará a vida de milhares de brasileiros, mas para que isso venha a acontecer precisamos pensar em um Brasil maior para a agricultura e não menor.

É importante lembrar que somos o país com maior potencial mundial de terras agrícolas. Segundo informações de alguns institutos de pesquisa, temos 35 milhões de hectares de áreas já abertas que poderiam ser incorporada à agricultura, temos o maior potencial hídrico do planeta, um clima tropical extremamente propício à agricultura. Mas será o Brasil capaz de aproveitar sustentavelmente este potencial ou fará ao contrário e engessará nosso desenvolvimento?

Temos problemas estruturantes muitos sérios e que irão, no curto prazo impedir o desenvolvimento da agricultura, pois a agricultura perde US$ 4,0 bi/ano em virtude de uma logística precária e inadequada, a indústria perde R$ 17,0 bi/ano; o Brasil perde R$ 23,0 bi/ano. Um exemplo claro, hoje, a soja que sai de Lucas do Rio Verde em MT para Xangai custa 222 dólares por tonelada, com a construção da hidrovia Teles Pires/ Tapajós passaria a custar 133 dólares, isto significa 89 dólares a menos, ou seja, teríamos uma economia anual de um bilhão de dólares em frete.

O Brasil joga dinheiro fora e não é pouco. São bilhões jogados fora por falta de investimentos focados nas prioridades geradoras de superávits ao País, temos hoje um cenário de estradas e portos ruins, temos um grande desequilíbrio entre os modais. Será que seremos capazes de crescer internamente sem ter uma logística adequada ao escoamento? A nossa aptidão é felizmente a exportação, mas até quando já que legislações restritivas a produção surgem a todo tempo.

De ordem legal temos problemas sérios, tais como: legislação ambiental, demarcação de reservas indígenas, Legislação trabalhista, classificação de grãos, fiscalização de fertilizantes e exploração de jazidas, Lei de proteção de cultivares e royalties. Como podemos ver são vários os temas que precisam ser discutidos e a sociedade brasileira precisa dizer, de uma vez por todas, onde pretende chegar, que nível de vida nós queremos, para isto é importante haver um diálogo sustentável do campo e da cidade.

Segundo a Embrapa, temos em Reserva Legal, intocada, 32% do território nacional, de Unidades de conservação e terras indígenas mais 27%, sendo assim, temos 59% do Brasil protegido.  As demandas que surgem e já apresentadas ao governo brasileiro para ampliação de áreas para reforma agrária, ampliação de parques florestais, de reservas indígenas e quilombolas, se somadas equivalem a 70% do território nacional. Se essas demandas forem atendidas, necessitaríamos clonar o Brasil.

O caso da ampliação das reservas indígenas é um exemplo claro, já possuem 12% do território brasileiro e querem dobrar. Não tenho nada contra os índios, muito pelo contrário, respeito e admiro muito deles, afinal tenho descendência indígena, mas não acredito que é isto que fará com que tenham dignidade e que preservem sua cultura. É preciso saber sim o que eles querem, e não o que a FUNAI quer. Hoje, os índios estão sendo massa de manobra das ONGs e de grandes multinacionais mineradoras. Mas a meu ver, e acima de tudo, é preciso ver o que o povo brasileiro quer para o Brasil.

A agricultura brasileira é um exemplo para o mundo assim como para o Brasil. Os EUA possuem 23% de suas florestas nativas, isto porque o governo americano, paga aos produtores para conservar algumas áreas que eles identificam como mais frágeis. As florestas americanas há dez anos chegavam a 30% e tem diminuído - isto ninguém fala – e o Brasil tem 56% de suas florestas nativas. Os EUA emitem 20 toneladas de carbono por habitante, enquanto no Brasil são 1,8 toneladas por habitantes. Somos, sem dúvida nenhuma, infinitamente mais sustentável.

Exemplo disso e em um momento histórico que o mundo clama por sustentabilidade, o Brasil aprovou na noite de ontem, com 274 votos a favor, o novo Código Florestal, coisa que país nenhum teve coragem de fazer, até porque, a maioria deles não tem floresta para preservar como o nosso país tem. O relatório do Deputado Paulo Piau, aprovado ontem, significou um avanço para o mundo rural, pois, concilia a produção com a preservação.

Para algumas ONGs o que fazemos não é suficiente. Mas, o Brasil de hoje é outro, é um país consciente e que preserva, mas que quer e que precisa produzir para se desenvolver e dar dignidade a milhares de pessoas que ainda vivem na pobreza e não tem a oportunidade de comer proteína todos os dias. Será mesmo que necessitamos ampliar ainda mais essa reserva florestal? Ou devemos nos concentrar em aproveitar bem e com menor impacto possível o que já temos aberto? Ou devemos tirar milhares de hectares em produção para contentar ONGs que não plantam uma árvore sequer em seu país? A resposta para essas perguntas começou com a aprovação do novo Código Florestal, agora o que temos a fazer, é esperar a resposta maior da nossa Presidenta, não vetando o que foi aprovado ontem.

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Brasil um país condenado a crescer

17 de abril de 2012 0

Há muito tempo eu não via duas palestras tão em sintonia, se completando, dando recados contundentes, falando do futuro, mas não de forma romântica, mas sim mostrando as perspectiva e os desafios de onde podemos chegar. Tive o privilégio de assistir a abertura do Circuito Aprosoja-MT onde André Pessôa e Ricardo Amorim de forma brilhante traçaram um cenário muito interessante e desafiador para o Brasil  dos próximos 10 anos. Há muito tempo eu não presenciava cenários tão positivos para o Brasil, mas nem tanto para todos os produtores e é sobre isto que irei discutir.

Os números apresentados por Pessôa descreviam a atual safra e ao contrário do que se esperava, não falavam da próxima safra, e sim de um cenário para dez anos. Na perspectiva mostrada, o Brasil deve mais que dobrar sua produção de grãos neste período, com um incremento de 90 milhões de toneladas, saindo das atuais 160 milhões de ton (contabilizando as perdas de 10 milhões de toneladas com a seca no sul e doenças no Centro-Oeste) para 250 milhões de toneladas em 2022. Ele foi enfático em dizer que o Brasil não está fazendo nada para atingir este patamar de produção. Trocando em miúdos, não estamos criando condições para que o país possa produzir as 100 milhões de toneladas a mais do ponto de vista da estrutura e capacidade do país para trabalhar este excedente e isto pode ser um problema para nós e para o mundo.

O mundo espera do Brasil esta resposta em incremento de produção de soja, milho, algodão etc. Porém com a atual conjuntura tudo indica que isso virá sem nenhum planejamento, o que deve custar muito caro ao produtor, que deve pagar a conta da ineficiência da logística de armazenamento, escoamento e portuária. Na visão do palestrante, a maior parte do incremento de produção brasileira virá de grandes ou mega produtores. Não que os pequenos ou médios não terão oportunidades, porém a questão é que para os grandes e mega a expansão será mais fácil, e por isso mesmo eles serão responsáveis por 80% deste incremento de produção no Brasil.

O palestrante ainda destacou que na expansão de novas fronteiras os mega produtores tem pouca contribuição social, pois eles não fazem novas cidades, uma vez que não irão morar nestes locais. Sendo assim, se conseguíssemos que os pequenos e médios tivessem oportunidades de ir junto com os mega seria muito positivo para o desenvolvimento regional. A concentração pode ser uma tendência mundial, impulsionada pela eficiência, escala, competitividade e economicidade, mas isto pode ser amenizado com a iniciativa de um novo modelo cooperativista surgido na Europa e EUA.

O grande e o mega produtor tem vantagens de acesso ao crédito, maior poder de compra, uma gestão mais profissionalizada e isto tudo facilita que ele venha a expandir. Porém o pequeno e o médio poderão buscar seu espaço se conseguirem se unir e se tornarem grande. Na verdade, trata-se de praticamente uma condicionante para sua sobrevivência, o agir coletivamente. E é ai que entra o novo modelo de cooperativa, onde cada um tem o peso do seu voto de acordo com o seu capital ou do seu movimento, o que possibilita que agrupados, os pequenos e médios tornem-se grande e até megas e concorrerem por novos espaços. Se este modelo falhar, muitos estarão fadados a sair da atividade, na visão de Pessôa.

Por outro lado Ricardo Amorim coloca que o Brasil está condenado a crescer, mesmo errando muito, ainda assim iremos continuar crescendo. Muitos são os fatores que contribuem com este crescimento, um deles é o agronegócio, somos o país que tem maior área agricultável disponível, disponibilidade de água; temos enorme potencial energético, minerais e petróleo.  Infelizmente o governo segue complicando, caso contrário iriamos crescer ainda mais rápido. O que levamos 30 anos para crescer agora cresceremos em 10 anos, mesmo com todos os equívocos e a falta de planejamento. E isto sim me deixou bastante confiante.

Ricardo Amorim diz que o Brasil receberá muitos investimentos. A análise de que em 10 anos teremos infraestrutura de primeiro mundo é muito positiva e sem dúvida pode acontecer. Hoje o Brasil é eleito um dos principais destinos de investimentos estrangeiros. Possuímos um enorme potencial e tudo indica que num futuro não muito longo poderemos nos tonar a terceira economia mundial, com solidez. E esta perspectiva atrairá investimentos, principalmente na área de logística, sendo a China, sem dúvida, um dos principais investidores.

O cenário apresentado para as comodities foi muito positivo, apesar da grande volatilidade que virá com o aumento dos preços. Mas a grande preocupação é com eminência de uma grande crise global, desencadeada pelo agravamento da crise europeia e americana. Daí fica a pergunta: até quanto uma nova crise pode afetar os preços, já que quem não tem dinheiro compra menos commodities e diminui seu crescimento? E mais uma vez ficamos com os olhos voltados para a China.

O cenário para o Brasil é muito positivo e para os produtores também, seja no curto ou longo prazo, é claro que com uma grande volatilidade, em virtude de uma nova crise mundial, e por isso, é importante aproveitar os melhores momentos. A grande questão é saber quais serão os produtores de amanhã, sem dúvida, serão aqueles que souberem se organizar e deixarem de achar que seu vizinho é seu competidor, a união da classe em setores será um dos fatores primordiais ao crescimento, Caititu sozinho na floresta é comida de Onça.

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